quinta-feira, 14 de maio de 2015

E aí galera, tudo bem?


       

          Bom, hoje iremos falar de algo muito peculiar em nosso cotidiano e que eu e você, praticamos, até sem perceber! MAS O QUE SERÁ? É algo simples, que se chama ATRIBUIÇÕES! ATRIBUIR DE ATRIBUIR MESMO? Sim, é o que chamamos de Teoria Implícita da personalidade, ou seja atribuímos certas características à pessoas que apresentarem certos traços e comportamentos. EXEMPLO: Muitas vezes imaginamos que pessoas com certos óculos, chamados “julietes” e certas roupas características de “malandro” como bermudas e mizuno, são características de um criminoso, ou seja: FOGE QUE ELE VAI TE ROUBAR! Esse é um exemplo clássico de como percebemos as pessoas a nossa volta, ou vai dizer que você nunca julgou alguém como perigoso e/ou vulgar por vestir certa roupa?

        Esse vídeo mostra um pouco dos julgamentos que muitos de nós realizamos, como “skate é modinha”, “rosa é coisa de menina, que gay”, ou mesmo quando tentamos enquadrar as pessoas dentro de algum “estilo”.

        Entretanto, esses fenômenos podem gerar o preconceito e além disso, os estereótipos. MAS O QUE SÃO ESTEREÓTIPOS? Em uma definição simples, do dicionário,

Estereótipo são generalizações que as pessoas fazem sobre comportamentos ou características de outros. Estereótipo significa impressão sólida, e pode ser sobre a aparência, roupas, comportamento, cultura etc.

        Ou seja, são as crenças que temos a respeito de algum grupo. Quando somos citados lá fora como país das “mulheres gostosas” ou país “das bundas”, “das putas”, quando julgamos as culturas orientais como “macumbeiras”, quando dizemos que os países islamitas são “ultrapassados”, estamos criando estereótipos. Isso é muito sério, pois, as pessoas NÃO PODEM SER ROTULADAS! SIM, MAIS UMA VEZ ESSA IDEIA. Não é só enquadrar certas pessoas que tem características x em um grupo y, existem contextos distintos relacionados a cada uma delas.

        O exemplo mais comum e recorrente na nossa sociedade é dos negros. Muitas pessoas acreditavam (E ACREDITAM) que ser negro é sinônimo de ser inferior, pobre, feio e criminoso. ISSO É MUITO SÉRIO! Fiquei chocada ao ver o vídeo abaixo, onde crianças NEGRAS caracterizam duas bonecas, uma branca e uma negra, chegando a dizer que a boneca mal é a negra!


        Mas além disso, ao atribuir, sempre tendemos a definir a ação dos outros à fatores internos e as nossas à fatores externos. ESPERA, MAS O QUE SIGNIFICA ISSO? Vamos aos exemplos: quando alguém bate o carro, as pessoas tendem a dizer que a pessoa não foi atenciosa, que ela não tem coordenação motora e afins, enquanto que se fosse com elas próprias, diriam que foi o outro carro que entrou na frente e que foi qualquer coisa diferente delas. Isso é o que chamamos de TENDENCIOSIDADE AUTO-SERVIDORA. Isso também ocorreu na história, quando a URSS atacou a Hungria, os seus aliados disseram que foi uma tática defensiva e os inimigos, atribuíram a URSS, o título de nação perigosa.
                    

        Agora, outro ponto legal...COMO INFLUENCIAMOS AS PESSOAS? Segundo French e Raven, por intermédio de 6 poderes: o coercitivo (agressão), o de recompensa (se você fize, ganha algo), de referência (usar terceiros para convencer o influenciado), de conhecimento (mostrar a importância de obedecer), o legítimo (mostrar a legitimidade do influenciador) e o poder de informação (fazer a pessoa entender a situação para que ela se deixe influenciar). Esse último, é o melhor de todos, por não ter um efeito temporário e por fazer a pessoa conhecer a situação. Além disso, existem outras formas de influenciar, que aliás é muito interessante, e fazemos bastante. Observem o diálogo:

-Mariana, você deve parar de ficar fora de casa o dia todo, você não está dando atenção devida aos seus pais!
- Que isso, Sheila, eu dou atenção a eles e muita!
-É talvez eu esteja enganada, você é muito atenciosa...
-É, mas nem tanto, acho que às vezes falto nos momentos mais importantes.
-Que nada, deve ser impressão, seus pais sabem se cuidar!
-Bem, acho que não, um dia desses minha mãe caiu e eu não estava lá, talvez se eu não saísse tanto, poderia ter evitado.

       Observem que o objetivo inicial do influenciador (SHEILA) se concretizou depois, na fala de Mariana (INFLUENCIADA). Este é um exemplo clássico de influência por dissonância cognitiva.

       Agora, em nossa sociedade, convivemos com pessoas bem distintas de nós, que possuem atitudes sociais diferentes, ou seja gostam ou não gostam de algo. Sendo esse algo, partidos políticos, times, cor e qualquer outra coisa que se possa imaginar. Segundo teorias da psicologia social, as pessoas criam essas atitudes sociais pela relação entre um componente afetivo, cognitivo e comportamental. Ou seja, se eu sou Flamenguista (eu sou mesmo), eu uso meu cognitivo para justificar esse amor e me comporto de maneira que se falarem do meu time, eu não irei gostar. Todavia, nem todos possuem essa mesma relação, muitas pessoas dizem ser socialistas, justificam isso, mas se comportam de maneira contrária.

             

        E por fim, podemos perceber em nossa sociedade que muitas pessoas são agressivas e outras, manifestam o altruísmo. Mas por quê? Segundo a psicologia, a razão de atos agressivos está na aprendizagem recebida e fatores inerentes à situação, bem como problemas psicológicos e fatores externos (álcool, crime). E a raiz da ajuda vem da própria situação. VOCÊ JÁ PERCEBEU QUE AS PESSOAS AJUDAM MAIS QUANDO ESTÃO SOZINHAS? É sério, é porque quando há muita gente a responsabilidade pode ser jogada de mão em mão dificultado a atitude, já quando a pessoa está sozinha e só ela pode ajudar, aí sim vemos um simples gesto de altruísmo.

              

        O que tudo isso nos reflete é à nossa REALIDADE, mesmo que CRUEL. Convivemos e praticamos tais coisas todos os dias e esse é exatamente o papel da psicologia social: analisar o cotidiano, o real. Mas esse real nos traz uma reflexão muito profunda acerca de como percebemos o outro, de como é tão mais simples rotular as pessoas do que levar em conta a subjetividade de cada uma. Até quando as pessoas não vão entender que SOMOS DIFERENTES E QUE NÃO PODEMOS SER ROTULADOS? Fica a reflexão.



Referência: Rodrigues, A. (1992) Psicologia social para principiantes: estudo da interação humana. Rio de Janeiro: Vozes.

sábado, 9 de maio de 2015


                       



Oi pessoal, como vocês estão?

             Espero que bem, mas se não estiver tão bom assim, vai ficar pois o texto de hoje é realmente extraordinário, mas que mostra uma realidade que não é tão extraordinária assim. 

        Imaginem: ano de 1961, pós nazismo, pós holocausto, pós segunda guerra mundial e um pensamento vem à tona: o que levou milhares de pessoas a cometer tantas atrocidades? Começa então, a surgir questionamentos acerca da obediência a uma autoridade. Um homem, chamado Stanley Milgram, começa a se interessar pelo assunto, firmado na ideia de que a obediência está ligada às situações. Ou seja, dependendo da situação em que o indivíduo está inserido, ele pode perder seus valores e crenças em torno de uma ordem.
                                
                                                         
  






             E como um ser humano e psicólogo, quis estudar o assunto. Criou então uma máquina de choque, onde uma pessoa seria o aluno, que levaria choques a cada erro de memória e o outro seria o professor que daria os choques e realizaria o exercício. À princípio ele quis estudar a desobediência, pois era fato que ele acreditava que as pessoas não dariam choques nas pessoas. MAS AÍ MORA O ENGANO: o teste se tornou um teste de obediência!
        








           



        Mas como se deu o teste? Bom, muitas pessoas participaram do tal teste, motivadas por uma quantia em dinheiro. Funcionava assim: a pessoa sempre seria o professor e o aluno, um ator que fingiria dor. Os resultados foram reveladores para a sociedade e para os especialistas que antes do experimento diziam que as pessoas não passariam dos 115 volts, desobedecendo a ordem. Entretanto, 65% das pessoas que participaram OBEDECERAM a ponto de machucar letalmente alguém.

        Stanley era espontâneo e divertido, confesso que fiquei surpreso ao saber de alguns experimentos que ele fez. Por exemplo, sabia que ele fez um teste de entrar na frente de alguém na fila e ver o que aconteceria? Ele é realmente hilário! Mas voltando ao texto, Milgram não ficou muito satisfeito, pois haviam os 35% que desafiaram. Ou seja, a situação não explicava tudo. Entretanto, estudar a personalidade não deu muitos resultados, além de saber que os obedientes eram menos próximos de seus pais e tinham sofrido pouca punição enquanto que os desafiadores tiveram árduas punições.

        E aí, a autora do texto decide então, investigar isso a fundo. Consegue o contato de um dos desafiadores e marca uma conversa. O homem afirma que parou em 150 volts porque estava preocupado com o seu coração, mas em um outro momento acabou obedecendo Milgram ao não denunciar o experimento à polícia. Além disso, o que foi percebido é que este homem desobedeceu no experimento mas obedecia na vida, pois participou da segunda guerra e nem sabe se já matou alguém.

        Ela não achou suficiente. Buscou um obediente do experimento de Milgram. Encontrou um homossexual, que obedeceu no experimento, mas utilizou esse para se tornar um desobediente e começar a questionar as autoridades vigentes. ESPERA AÍ, então no experimento as pessoas são uma coisa e na vida outra? É isso aí, ele serviu a cada um de uma forma peculiar. E é nisso que a autora acredita, mas que infelizmente não pode tirar conclusões sobre a relação entre personalidade e obediência, mas em parte provou que pode haver alguma relação entre ambos.


        O mais interessante de tudo isso é perceber que a obediência nos cerca. Não é somente no holocausto ou no período nazista que as pessoas obedeceram. Elas obedecem hoje. Estão obedecendo agora. Inclusive eu e você já obedecemos ou estamos obedecendo. Mas por que? Qual a razão de tamanha servidão voluntária? Nem eu, nem você, nem o Milgram e nem La Boétie sabemos. O que nos resta é questionar e ficar atentos às instituições autoritárias que nos cercam. 

                          Experimento de Milgram

Referência: Stanley Milgram e a Obediencia à Autoridade;

sábado, 2 de maio de 2015

                 A comparação como método de ensino:
                              Os rótulos da educação



                   Olá galera, tudo bem?
        Hoje irei falar de algo muito importante que eu e você vivenciamos todos os dias e muitas vezes, nunca pensamos a respeito. É óbvio que todo mundo já teve contato com a escola uma vez na vida, já estudou, se formou e foi a faculdade. E em todos esses momentos você e eu fomos avaliados pelo ensino tradicional baseado em uma curva. O QUÊ? UMA CURVA? Sim, uma curva chamada de distribuição normal ou gaussiana, que é mais ou menos assim:
                            

"O gráfico mostra uma distribuição normal rigorosamente simétrica. No centro da distribuição, coincidem média, mediana e moda. Uma curva de distribuição normal (ou Curva de Gauss) tem como característica englobar 99,73% das ocorrências no intervalo compreendido entre a média e ± 3 desvios padrão, conforme detalhado no mesmo gráfico".


Como vocês podem ver, a curva de distribuição normal concentra 99,73% das frequências, que no caso vamos considerar como notas. Ou seja, você tem a sua nota final de uma disciplina x colocada nessa distribuição e após todas as notas dos outros alunos serem colocadas também, você é avaliado em comparação com a média dessas notas. OK, MAS ONDE ESTÁ A PARTE RUIM? Essa é a parte ruim meus amigos, esse método baseado em “norma” esconde a verdadeira realidade. Por exemplo, ele não garante que quem esteja acima de média realmente aprendeu algo, além de analisar só um tópico da matéria! Ou seja, não há preocupação com a aprendizagem, não há interesse em saber se realmente o aluno aprendeu, se ele tá na MÉDIA ele é um aluno MEDIANO, se ele está acima dela ele é um aluno BOM. Agora, você não se assustaria se eu te dissesse que a sua vida inteira, assim como a minha, fomos avaliados assim e eu, particularmente, continuo sendo.

Agora pense comigo, que relação há entre esse método e o determinismo? SIMPLESMENTE TUDO! O método da distribuição normal, reduz as pessoas à notas, à gráficos, sem levar em conta suas individualidades e subjetividades. Além disso ela utiliza rótulos para classificar os alunos: BOM, MÉDIO E RUIM. Mas será que não existe algum outro método que possa levar em conta a VARIÂNCIA do ser humano meu Deus? Existe sim e não é só um. O método baseado em critérios abrange todas as partes da matéria e o aluno não é avaliado em comparação aos outros, mas sim em relação aos objetivos previamente estabelecidos. Algo essencial nesse critério é a não estipulação de tempo, tendo em vista que cada um tem o seu, bem como a utilização de materiais instrutivos e bem elaborados.

Esse método foi testado em uma escola pelo Departamento de Ensino e Ciência da UNESCO em uma escola, onde as crianças foram avaliados em física sem a estipulação temporal e com materiais de boa qualidade. Os resultados foram surpreendentes: AO INVÉS DE UMA CURVA DE DISTRIBUIÇÃO NORMAL, OS PESQUISADORES ENCONTRARAM UMA CURVA DE CONCENTRAÇÃO ENTRE AS NOTAS 9 E 10! Será então o tempo o problema dos métodos educativos tradicionais? Com certeza, estipular um tempo único para todos é não leva em conta a diferença entre os alunos, alterando seus desempenhos. Isso mede quem aprende mais dentro de um tempo e não quem realmente aprendeu sobre o assunto.
 
Esse vídeo apesar de não ser o melhor exemplo, mostra como a professora leva em conta a variância dos alunos, falando na mesma linguagem que eles.

No segundo texto lido, este último método baseado em critério foi testado. Alunos de odontologia fizeram um teste de limpeza bucal com alunos de um curso profissionalizantes, onde a técnica programada e individualizada foi utilizada. As características essenciais desta técnica é a possibilidade do aluno seguir seu ritmo próprio, exigência de resposta ativa e de feedback dos alunos e a aprendizagem dividida em unidades. Os resultados foram MUITOS ALUNOS APROVADOS E MUITAS NOTAS BOAS. Além disso eles conseguiram fazer com que 63,3% dos pacientes tivessem seus índices de limpeza bucal aumentados, além deles terem executado todos os procedimentos explicados pelos odontólogos.
  Para deixar mais claro, não existe só o método de critério que é bom, existe diversos outros que levam em conta a individualidade dos alunos, como o método montessoriano, explanado no vídeo abaixo.
 
Método Montessoriano


Será que ainda há dúvida sobre o método de critério? Por que insistir em comparar cada um aos outros ao invés de ressaltar a variância dos indivíduos? As escola tem tantas opções de métodos, por que não melhorar? Talvez, como eu, você nunca tenha pensado nisso, nessa triste realidade do ensino tradicional, onde a comparação é o critério de aprendizagem. 
                 









Referência: Dib, C.Z. (2002) Afinal, o que você efetivamente mede quando sua avaliação é referenciada pela distribuição normal? Boletim informativo do instituto de Física da USP. http://www.if.usp.br/bifusp/bifold/bif0218.html; Moraes, A. B. A. ; Vieira, R. C. ; Valvano, M. . (1981) Aplicação de um curso programado e individualizado na Faculdade de Odontologia de Piracicaba. Revista da Associação Paulista de Cirurgiões-Dentistas, 35, 498-508.

sexta-feira, 24 de abril de 2015

Década dos erros



É fato que estamos vivendo uma década do Cérebro repleta de descobertas e avanços, que vem despertando a empolgação dos cientistas e até das próprias pessoas.

Mas como nem tudo são flores, essas descobertas com relação ao Cérebro trazem à tona uma problemática muito presente em nossa sociedade, o determinismo neurogenético. “Mas o que seria isso?” Seria reduzir o ser humano à genes e ao cérebro. “Certo, mas o que isso significa na prática?” Significa que se uma pessoa é gay, é porque ela possui um cérebro gay, significa que pessoas são violentas porque tem um cérebro violento e que as pessoas são negras porque possuem deficiências genéticas. “MEU DEUS! QUE ABSURDO” E não para por aí.

                              

Segundo os deterministas, os problemas podem ser sociais ou biológicos, sendo que os segundos definem os primeiros. Ou seja, os crimes que ocorrem na sociedade são causados por fatores biológicos inerentes aos criminosos e não porque existe uma construção social ou um contexto por trás disso. “NÃO, NÃO, MIL VEZES NÃO, ISSO TÁ ERRADO”. Para eles e para o governo não...para pra pensar: o que seria mais interessante para o governo, dizer que os sem tetos são assim porque eles tem problemas no cérebro ou porque o Estado não possui políticas públicas dignas de resolver tal problema? É óbvio que para o Estado dizer que tudo é problema do Cérebro ou do Gene, ou seja que todos os problemas são de cunho biológico, é mais vantajoso porque tira de suas costas toda a responsabilidade social.
 Quer dizer então que o Brasil é violento por causa do genótipo ou do cérebro da população? “Será que os deterministas não veem o óbvio?” Eles veem e até reconhecem o social como um fator importante, entretanto é melhor para eles sustentar as desigualdades existentes para terem a quem culpar. Outra coisa importante sobre eles: eles adoram números, quantificar é com eles mesmos, amam estatísticas. Engraçado, né? Como eles conseguem reduzir o ser humano (complexo e não reduzível) a meros, números, tabelas e gráficos?
        Será que o Extremista é assim por causa do Cérebro? 

                       Sera que o alcoólico tem um Cérebro alcoólico?  Será que o Cérebro de uma pessoa negra é negro também e menor que o dos Brancos? Será que o racismo também está no cérebro? 

Não estou criticando os avanços ou o estudo do Cérebro, mas estou assim como o autor do texto, dizendo que olhar os problemas é determiná-los em função do cérebro ou do gene está errado. Aí você me diz: “FLÁVIA, NO PRIMEIRO TEXTO DO BLOG VOCÊ MOSTROU QUE O CÉREBRO DE MONGE ESTAVA SENDO ESTUDADO, SERIA ISSO ERRADO?” Não de maneira nenhuma, ali o monge não foi diagnosticado, ele participou da pesquisa por vontade própria e ainda ajudou a construí-la . E em nenhum momento eles disseram “ele é assim por causa de seu cérebro, pela sua construção genética” mas eles analisaram o contexto, o social e as práticas de Öser para tirarem suas conclusões. Agora se pegamos o último texto do Blog vemos que agora os rótulos estão baseados na neurogenética.
E o mais interessante disso tudo é que o autor do texto sobre o qual escrevo estuda o cérebro também, todavia em seu texto ele faz uma crítica ao reducionismo pregado pelo determinismo, defendendo assim um diagnóstico baseado na relação entre os fatores sociais, individuais e biológicos.

Nos últimos textos temos visto o quanto é difícil levar em conta a VARIAÇÃO que existe entre os seres humanos. Não adianta criar rótulos, padrões e estatísticas, porque nenhum é capaz de demonstrar a realidade da natureza humana 100% como ela é. O mais divertido aqui é pensar que a própria estatística leva em conta os erros em suas contagens, erros esses sendo a variação, enquanto que os métodos deterministas não conseguem admitir que o ser humano é variável e não pode ser analisado como algo fechado. POR QUE NÃO DIZER: EU NÃO SEI! Porque não contextualizar tais diagnósticos, por que não ser humanos e levar em conta sua própria experiência como indivíduo variável em diversas características e dizer não à padrões e determinações? Por que?


Referência: Rose S. A. (1997) perturbadora ascensão do determinismo neurogenético. Ciência Hoje, 21, 18-27.

sábado, 18 de abril de 2015

Sobre ser São em lugares Insanos

 (Se a sanidade e a insanidade existem, como nós devemos reconhecê-las?)

        Esse texto é um dos melhores da disciplina que eu já li. Ele vai falar sobre um teste feito por David Rosenhan em 1970, no qual ele procura testar se os psiquiatras da época sabiam diferenciar os sãos dos insanos. Mas espera aí, que eu saiba o certo é o psiquiatra definir os insanos dos sãos, não é? Não exatamente, ele deve ser capaz de executar ambas tarefas e é exatamente isso que David busca questionar com o seu teste. Ok, mas qual é o objetivo deste teste? É simples: ele procura demonstrar o quanto o ser humano é subjetivo e complexo, sendo a tarefa do psiquiatra o diagnosticar considerando tais características.

                        Mas não era isso que ocorria...

        Em uma viagem feita ao Vietnã, David observou que muitas pessoas fingiam estar com esquizofrenia para não serem convocadas para a guerra e acabou intrigado com esta situação. Como eles conseguiram tal diagnóstico? Foi daí então, que ele resolveu chamar 8 pessoas, incluindo ele, para realizar um teste um pouco diferente. As pessoas teriam que ir a um consultório psiquiátrico e fingirem serem insanas, utilizando a desculpa de que estavam ouvindo um barulho e, esse barulho deveria ser definido como “tum”. Mas por que “tum” e não uma outra coisa? Simples, porque este som tão fictício não estava contido nos estudos da psiquiatria da época.



        No dia combinado todos fizeram o que devia ser feito. Relataram o “tum” e uma surpresa: todos foram diagnosticados com esquizofrenia, menos um outro que estava em um quadro de psicose-maníaco-depressiva, ou seja, nenhum teve sua sanidade detectada. E não é só isso, eles ficaram alguns dias internados e puderam observar o quão desumano eram os consultórios. Segundo Rosenhan, os próprios insanos perceberam a sanidade dele, enquanto que os psiquiatras não.
                                            

        Depois de terminado os testes, Rosenhan posta o seu artigo. E o mundo da psiquiatria caí, não em relação à profissão, mas à teoria. É importante deixar claro que com este estudo, David comprovou as falhas da teoria psiquiátrica da época, que era baseada somente em rótulos, não considerando o que há de mais presente nos humanos: a subjetividade. Entretanto, Spitzer, defensor do diagnóstico psiquiátrico, diz que esses estudos são falhos e mal feitos. Mas no final ele acabou reforçando os diagnósticos, para que não fosse possível que erros como os expostos no teste de Rosenhan fossem repetidos.

        Mas é aí que vem a parte mais interessante do texto: a própria autora do texto, resolve refazer os testes de Rosenhan para ver se realmente os diagnósticos estão isentos de erros. E assim ocorreu, ela foi ao consultório e relatou o “tum”. A primeira coisa que ela nota de diferente é o ótimo acolhimento que recebe por parte dos médicos e enfermeiras, diferente do notado por David. Além disso, ela pode perceber que na época do primeiro teste, os diagnósticos eram feitos com base no esquema psicanalítico, mas agora eram as pílulas que os embasava. No final, ela é diagnosticada com depressão. Ela repetiu o teste e no total, ela recebeu muitas pílulas (25 antipscicóticos e 60 antidepressivos). Nossa! Quanto remédio, não é?

   

        E é assim que podemos definir o nosso atual século. Os diagnósticos são feitos com base nas pílulas, você diz o sintoma e o médico te indica um remédio, não é? Mas por que não contextualizar os diagnósticos ao invés de somente rotulá-los? Por que não dizer “não sei” se o psiquiatra realmente não sabem? Por que criar rótulos para algo que não pode ser rotulado, que somos nós, os seres humanos? Todas essas questões são fruto dos estudos de Rosenhan, que vieram revelar a fragilidade da teoria psiquiátrica, além de revelar que na década de 70 o rótulo da moda era a esquizofrenia e agora, é a depressão. Qual será o próximo rótulo?

                

#DIGANÃOAOSRÓTULOS
#MEDITARPODESERASOLUÇÃO
#EDUQUESUAMENTE


Referência: SLATER, Lauren- Sobre Ser São em Lugares Insanos – Experimentos com Diagnósticos Psiquiátricos. Mente e Cérebro, (p.82-115):Traduzido por Vera de Paula Assis.- Rio de Janeiro : Ediouro Publicações Ltda., 20

sexta-feira, 10 de abril de 2015




Hipnose e sua relação com a dor



        A hipnose está totalmente relacionada com a submissão do hipnotizado e se apresenta como uma atividade meramente atrativa nos shows de mágica e ilusionismo, não é? Não, não é. Isso é o que o senso comum te diz, mas esta prática tão pouco conhecida envolve na verdade atividades de alta concentração dos indivíduos, que sofrem alterações variadas em seus sentidos, não ficando totalmente inconsciente, derrubando assim a ideia da relação entre a hipnose e a submissão.

           Mas não se preocupe, eu também não sabia disso. E outra coisa que eu também não sabia é que ela é utilizada em diversos ramos, como na psicologia, tratando traumas e depressões, na medicina, colaborando no alívio da dor e no tratamento de doenças. Incrível não? Você sabia que existe a hipnose anestésica? Pois é, existe e pode ajudar diversos pacientes diagnosticados até mesmo com câncer.
     

        O mais incrível deste texto primeiro texto é que ele discute os estágios da hipnose, que são cinco. O primeiro é o hipnoidal, que altera a respiração da pessoa, o segundo é o leve, onde a pessoa fica relaxada, o terceiro é o médio, quando a pessoa já perde algumas sensações, o quarto é o profundo, sendo a partir daqui possível a realizações de perguntas, pois o indivíduo já está sem percepções e o quinto e último é o sonambúlico, onde o indivíduo apresenta amnésias e alucinações. Mas é possível que todo mundo chegue aos estágios mais profundos da atividade hipnótica? Não! E é por isso que são realizados testes para observar o nível de aderência das pessoas à hipnose, sendo que segundo dados apenas 10% da população possuem esses níveis altos.



        

         Durante a hipnose, o indivíduo pode exercer diversas atividades cerebrais, inclusive uma conhecida de todo mundo: o efeito scroop. O que seria isso? Bom, vamos começar com a prática: leia as seguintes palavras: VERDE, AMARELO E VERMELHO. Tenho certeza que você confundiu o significado das palavras com a cor das mesmas e é exatamente isso que é o efeito scroop, que pode aumentar ou diminuir durante a hipnose. Logo, é notável que a atividade hipnótica envolve alta atividade cerebral, influenciando o mesmo. Vocês se lembram da monotonia? Pois é, esta atividade também envolve a monotonia, por manter durante um certo tempo o indivíduo sem suas percepções, podendo gerar o tédio.

  TESTE SEU CÉREBRO!!

        Mas e a relação da hipnose com a dor? Calma. Agora entramos no segundo texto, apresentando primeiramente uma problemática da atividade hipnótica: Como saber se as expressões dos pacientes são legítimas ou fruto do inconsciente? Para resolver tal problema, o autor do texto apresenta um método qualitativo para analisar a hipnose e a dor, em detrimento de um meramente quantitativo, que foca em grupos de controle, experimentos e métodos empíricos. É importante mencionar que este último método pode esconder a subjetividade dos indivíduos e de seus contextos.

        Então, o autor propõe o método qualitativo, que daria ênfase no contexto e na construção da realidade do indivíduo e nas interpretações estéticas, relacionadas com a pesquisa e as técnicas, proveniente da individualidade do pesquisado. Para testar tal método, eles utilizam uma paciente chamada Suzana, que sentia dores provenientes de sua doença. Durante a pesquisa, o pesquisador percebe que Suzana possui uma visão negativa do mundo, além de sentir um certo receio com relação aos profissionais da saúde. Com isso, o pesquisador acolheu Suzana de todas as formas, tanto escutando-a quanto lhe contando histórias usando a distorção do tempo, mostrando pra ela que sua história não era feita somente de coisas negativas. Depois de algumas sessões, a mulher relatou alívios na dor, que apesar de provenientes da doença, possuía raízes subjetivas. Logo, o processo hipnótico é importante para demonstrar que a dor não é um fator independente e sim, influenciado por diversos sentimentos dos indivíduos.

        
       Vocês não acham que a hipnose poderia ser uma resposta às emoções destrutivas? Será que ela poderia explicar as motivações que leva uma pessoa a cometer o suicídio? Tendo em vista os textos lidos, afirmo que sim, pois depois de ver o quão a hipnose pode ser poderosa para aliviar até as dores, acredito que ela pode ser o remédio pra muitos dos outros problemas atuais.

                    

  

Referência: FRAGA, I. (2010) hipnose fora do palco, Ciência Hoje, 276, 20-27; NEUBERN, M. S. (2009) Hipnose e dor: proposta de metodologia clínica e qualitativa de estudo. PsicoUSF, 14, 201-209.

quinta-feira, 2 de abril de 2015

A Patologia do Tédio e o Novo sentido do Tato

         Hoje em dia, a sensação de tédio é comum em nossa sociedade, principalmente entre os mais jovens. Mas o que significa estar entediado? O tédio geralmente se relaciona aos ambientes monótonos, ou seja, onde não há percepções ou estímulos para nossa mente. Logo, quando estamos com tédio, estamos sentindo falta de diversificação no ambiente, estamos procurando atividades distintas para o nosso cérebro, caso contrário nos sentimos como o tal. Como você se sentiria dentro de um ambiente monótono durante horas?


         O texto A Patologia do Tédio relata um experimento realizado por Hebb com alguns jovens que ficam deitados em uma cama 24h por dia, fazendo pausa somente para comer e fazer suas necessidades. Nesse ambiente, eles estavam blindados de todas as formas de percepção, com relação ao tato, audição e visão, impedidos assim, de ativar o funcionamento correto do cérebro. Espera, não entendi, qual a relação entre as percepções e o funcionamento do cérebro? Simples: o correto e total funcionamento do nosso querido cérebro depende da retina, que só é ativada por meio das percepções. Traduzindo: procure evitar a monotonia!


         Vamos comprovar as afirmações acima pelos incríveis e interessantes resultados constatados no experimento. Segundo os jovens, eles não conseguiam pensar em muita coisa quando estavam blindados e quando pensava em uma, não se concentravam nela e, havia momentos em que suas mentes pareciam estar vazias e sem pensamentos. O que te lembra isso? Sim, isso mesmo, um tipo de meditação do nosso querido Öser, o “estado aberto”. E isso acontece comigo e talvez com você frequentemente, quando por exemplo, lemos um texto no computador durante horas. É muito difícil que você pense somente no texto durante toda a leitura, algumas vezes você se pega pensando nos problemas, nos amores ou em qualquer outra coisa que não seja o texto. Além disso, os jovens relataram alucinações e medo de fenômenos sobrenaturais depois de saírem do confinamento! Nossa, a monotonia pode instigar ao medo? É, pelo que tudo indica, sim.

 


         Já no segundo texto, O novo Sentido do Tato, que está totalmente relacionado ao primeiro, o autor relata os benefícios de um sentido não muito estudado e não muito conhecido pelas pessoas. Ai você me diz: “eu sei sobre o tato” sim, você sabe o que o senso comum te diz. Por acaso você sabe que ele pode evitar acidentes de trânsito, aéreos e ainda ser utilizado como auxílio aos deficientes visuais e auditivos?  Pois é, o texto nos diz isso. O tato é pouco conhecido pelas pessoas, mas pode ser muito poderoso na tarefa de evitar situações adversas.
 Vamos conhecer o tato?

         Um dado surpreende: 30% dos acidentes aéreos são causados por desorientação espacial, e tudo isso poderia ser evitado pelo tato, através do macacão táctil, um objeto desenvolvido para o auxílio dos pilotos, que é ativado pelo ar. Entretanto, o seu uso é voltado no texto, somente para aumentar o poderio militar dos países. Isso é ruim? Não, se utilizado para a defesa, por exemplo, mas no texto o poderio militar é reforçado para o uso em guerras, tanto para a defesa quanto para o ataque. No texto o autor fala muito disso, e realmente é assim: as pessoas fazem projetos como esse (macacão táctil) e citam seus benefícios para a população para que eles sejam aprovados, todavia ele é quase que totalmente destinado ao militarismo. 


         Apesar disso, a ideia é muito boa. Será que esse macacão teria evitado o recente acidente no qual intencionalmente o copiloto de um avião matou 150 pessoas? Acredito que sim. Nas outras áreas, como no trânsito, ele poderia ser utilizado na orientação de direita e esquerda, ajudando muitos motoristas, na visão ele poderia ser incorporado como guia táctil e na audição usado como instrumentos táctil durante a infância.

 
 

         Mas qual a relação existente entre os textos? Simples: o estímulo do tato poderia evitar a monotonia, ativando a retina e proporcionando o correto funcionamento do cérebro. E tudo poderia ser melhor, você não acha?

Referência: Schrope, M. (2001). "Simply sensational", New Scientist, 2 de Junho, 30-33; A Patologia do Tédio. Psicobiologia: as bases biologicas do comportamento. Rio De Janeiro: LTC.